o que muda na f1 com a liberação das ordens de equipe

Respondendo rápido e rasteiro, porra nenhuma.

A FIA resolveu retirar o artigo que proibia as ordens de equipe dentro da Fórmula 1. A única coisa que sobrou foi um “as equipes serão lembradas de que todas as ações que trouxerem descrédito ao esporte serão abordadas pelo artigo 151c do Código Esportivo”. Esse artigo 151c não importa muito, o negócio é que ficou liberado de vez. Mas o que isso vai mudar? E por que um negócio tão criticado e expugnado do automobilismo foi liberado de vez ao invés de ser proibido?

Por que ordens de equipe sempre existirão e vão existir pra sempre.

Antes de tudo, precisam entender uma coisa. O automobilismo nunca foi um esporte individual. Pra ele ser individual, o piloto precisa montar o carro, abastecer, apertar as rodas, calibrar os pneus e ficar olhando pra um monitor e desenhando sua estratégia antes de cada corrida. Tudo isso sozinho, sem ninguém do lado. Isso pode até existir em algumas categorias amadoras, mas a partir de um nível mínimo de competição no automobilismo, o piloto vai ter mais gente por trás. O que você vê dentro da pista é o trabalho de várias pessoas, uns mais importantes que outros, mas vários. Com isso em mente, temos que ver que o piloto representa uma série de pessoas, uma equipe. Ele é PARTE dela, não uma coisa separada. O jogo de equipe não é nada mais que um piloto fazendo um bem maior em prol de outros.

Mas por que isso era proibido? Por que criou-se a visão de que isso é errado. Algo abominável, desumano, odioso e tão detestável que seria punido com a morte caso o Galvão Bueno fosse presidente. Mas, aqui tem uma novidade para vocês.

As equipes fazem isso o tempo TODO.

Não é uma ou duas vezes que um piloto deixa outro passar, são várias vezes. As pessoas não tem ideia de como o automobilismo pode ser sutil. Se você está vendo uma categoria que é decidida nos milésimos, acha mesmo que está vendo tudo que está acontecendo dentro da pista? O simples fato de um piloto “tirar o pé para poupar o carro” pode ser usado como desculpa para uma possível troca de posições nas trocas de pneu. E você vai dizer o que?

Uma viagem da minha cabeça que pode muito bem ser verdade e ninguém nunca vai ficar sabendo pode ser usada como exemplo. Na última corrida do ano, Mark Webber gelou e não foi bem. Mas não foi bem por que, se ele tava resistindo e lidando muito bem com a pressão o ano inteiro? Pois é. Ninguém sabe o como foi o briefing da Red Bull antes da corrida pra saber o que foi colocado em jogo, nem o que estava em jogo. Uma bela quantia em dinheiro? O contrato pra 2011 (ou 12, ou 13)? Só eles sabem. Pode ter sido o medo, pode ter sido outra coisa.

O caso é que a questão da ordens de equipe é uma coisa pessoal e subjetiva demais para ser proibida. Ao meu ver, a melhor opção é liberar mesmo. Se você não gostar da equipe que manda um piloto dar passagem pra outro, simplesmente não torça pra eles. Se você acha que o mundo é lindo, que as pessoas são boas e ninguém está escondendo nada de você, torça pra quem diz não fazer jogo de equipe. O automobilismo é formado por várias pessoas, a hierarquia existe e é forte.

Resta você escolher pra quem vai torcer.

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Arquivado em automobilismo, esporte, política

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